Nos meandros do mundo da liderança existe um conjunto de competências que são críticas para o sucesso de qualquer gestor.
Uma das mais importantes é a capacidade de ouvir as pessoas que lideramos.
Se perguntarem a qualquer pessoa que seja membro de uma equipa qual o principal defeito da sua chefia, provavelmente dirão "o nosso chefe não sabe ouvir".
Longe vai o tempo em que o gestor se podia dar ao luxo de estabelecer uma estratégia sem o envolvimento das pessoas da sua equipa.
Nesse sentido, o ouvir faz parte integrante deste processo.
Não ouvir é muitas vezes a razão pela qual se verificam faltas de entendimento, erros, trabalhos mal executados que necessitam de ser refeitos, clientes irritados e até, muitas vezes, vendas perdidas.
Mas se ouvir é tão importante, por que é que tão poucas pessoas o utilizam?
Vamos então analisar então algumas vertentes do ouvir:
- Ouvir é um trabalho difícil
Ouvir é mais do que ficar quieto a olhar para a outra pessoa.
Está provado cientificamente que ouvir aumenta o ritmo cardíaco, a pressão sanguínea e até a transpiração.
Significa concentrar-se na outra pessoa em vez de nos centrarmos em nós, como habitualmente fazemos.
Manter a nossa atenção totalmente focada é algo extremamente difícil e cansativo.
- Pensar que somos adivinhos
Pensamos que sabemos o que a outra pessoa vai dizer mesmo antes de ela própria o dizer.
Temos também uma urgência enorme em agir em cima dessas impressões.
Normalmente interrompemos a outra pessoa e não damos o tempo suficiente para que a possamos ouvir em condições.
- Diferenças de velocidade
A diferença entre a velocidade de pensamento e a velocidade com que falamos cria um abismo no acto de ouvir.
Uma pessoa normal fala 135 a 175 palavras por minuto, mas consegue ouvir entre 400 a 500 palavras por minuto.
A diferença entre a velocidade do pensar e do ouvir faz com que utilizemos essa diferença de tempo para:
- Tirarmos conclusões apressadas
- Desligar e sonhar acordados
- Planear uma resposta
- Argumentar mentalmente com a outra pessoa
Pelo menos esta é a forma como um mau ouvinte utiliza esse hiato de tempo.
- Falta de treino
Normalmente, em termos profissionais, passamos mais tempo a ouvir do que a falar, ler ou escrever.
No entanto, é muito raro existir nas empresas treino formal em como ouvir.
A maioria das pessoas costuma considerar-se como um bom ouvinte, mas quando questionadas as pessoas à sua volta, essa opinião cai rapidamente por terra.
Dependendo das profissões, uma pessoa passa cerca de 3/4 do dia em comunicação verbal.
Quase metade deste tempo é passado a ouvir.
Por incrível que pareça, a eficácia no ouvir é apenas de 25%.
Por outras palavras, 3/4 do que as pessoas ouvem é normalmente distorcido de alguma forma ou esquecido rapidamente.
O acto de ouvir permite, na componente da liderança, trabalhar coisas tão importantes como:
- Diminuir o número de mal entendidos
- Aumentar a auto-estima das pessoas ao sentirem-se compreendidas
- Aumentar a moral da equipa
- Identificar os problemas atempadamente
- Melhorar o relacionamento entre as chefias e os membros da equipa
Mas afinal de contas, como é que nos podemos ouvir com maior eficácia?
Alguns pequenos conselhos para praticar esta semana quando tiver de ouvir:
- Em primeiro lugar, "morder a língua" e calar-se
- Focar-se incondicionalmente na pessoa
- Não estar desfocado a pensar no que vai dizer
- Ouvir nos 3 canais de informação (Visual, Auditivo, Sensitivo)
- Ler a linguagem corporal para recolher a informação não verbal
- Calibrar os padrões auditivos, hesitações, pausas exageradas, tremuras na voz
Estas são apenas algumas das questões relacionadas com a arte de ouvir.
Muito mais existiria para falar sobre este tema.
Se quiser aprender mais sobre este tema, aproveite e inscreva-se já no próximo workshop de Liderança Intrapessoal.
Vai ver que existe muito mais na arte de ouvir do que a maioria das pessoas pensa.